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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

UM ESCLARECIMENTO AOS LEIGOS

Qualquer profissional, em qualquer área, sabe quanto é irritante a opinião do leigo relativamente ao seu assunto. E os leigos são os que mais entendem de opinião! São leigos que opinam sobre Medicina e sobre Farmacologia; são leigos que opinam sobre as leis e sobre as Ciências Jurídicas; são leigos que opinam sobre Mecânica (uma das áreas da Física); são leigos que opinam sobre Teologia (como se essa ciência fosse simplesmente uma "religião"); são leigos que opinam sobre as teorias sociolinguísticas, suas análises e funcionamento e, por ser hoje o Dia da Música e do músico, não posso omitir os leigos que opinam sobre essa maravilhosa Arte do Som. É triste.
Sou professor de língua portuguesa; na minha área de atuação muitas vezes fico incomodado com a opinião dos leigos: parece que dominam uma verdade, têm uma explicação entendem os meandros da linguagem oral e escrita, dominam mecanismos que desafiam os mais profundos estudiosos. Mas, Português, a gente estudou na escola! A gente leu nos livros! A gente decorou muita coisa! É triste.
Ora, o estudo da nossa língua envolve muitas divisões, a fim de que o estudioso, após anos e anos de trabalho nas pesquisas, adquira algum horizonte. Mas o leigo tem opinião. É triste.
Parece um tanto banal a cena de um professor passando explicações sobre o conteúdo de sua disciplina. Grande quantidade de alunos, admirados, perguntam: "Como você conseguiu decorar tudo isso?". Decorar?! Chamam-me de papagaio? Não repararam que quarenta minutos de trabalho numa sala-de-aula não são os mesmos quarenta minutos na sala contígua, no mesmo dia? Cada turma é uma turma. Eu não decorei nada, meu amigo! É triste.
Antes de o professor falar a uma turma, existe um enorme trabalho de análise, de preparo do assunto; não que ele decore o que vai dizer. O preparo do assunto existe para que ele não escorregue teoricamente; para que não diga algo que possa ser desmentido no decorrer de outra explicação. Os livros lhe amparam  a atividade. Mas, sempre se encontra o admirado aluno a fazer aquela ridícula pergunta. É triste.
A título de ilustração, transcrevo aqui trechos de teoria que fazem parte dos estudos de um professor de idiomas, quaisquer que sejam. Os exemplos teóricos transcritos deverão mostrar ao leigo que ele não deve opinar sobre o que desconhece.
"O conceito de texto depende das concepções que se tenha de língua e sujeito". (Ingedore G. V. Koch).
Sobre a noção do sujeito ideológico, Eni P. Orlando diz: "O referido "sujeito" vai ser interpretado a partir dos pressupostos teóricos da Análise do Discurso, de linha francesa,que surgiu,na década de 60, através de Dubois e de Pêcheux. Aquele um linguista, lexicólogo, envolvido com as questões linguísticas da época; este, um filósofo,voltado, em especial,  para os embates do marxismo e da psicanálise. (...). Num de seus trabalhos, Magda Soares ensina: "... a constituir realmente uma disciplina com um conteúdo articulado; ora é na gramática que se vão buscar elementos para a compreensão e a interpretação do texto, ora é no texto que se vão buscar as estruturas linguísticas para a aprendizagem da gramática".
Essas transcrições devem ser suficientes para que se imagine que, antes do discurso para os alunos - que parece tão decorado - o professor gaste horas de estudo científico sério e profundo.
O mesmo se deve compreender de qualquer atividade profissional envolvida com suas Ciências. A prática profissional é apenas o espetáculo que chega aos olhos do leigo. O difícil, trabalhoso, exigente está no recôndito da escrivaninha.
Que dizer, então, da atividade de um verdadeiro pregador cristão? Ele há de consumir horas e mais horas de estudos bíblicos (na Bíblia!), há de conhecer, por meio de muita aplicação ao trabalho e de muita literatura teológica, os métodos da Teologia, no conjunto das disciplinas que a formam. E, para esse homem, mais exigência ainda: boa parte de seu tempo tem de ser dedicado à meditação espiritual e à oração. Mas, há leigos que têm uma opinião sobre o trabalho desses atarefados homens. É triste!

Um comentário:

  1. Muito bom meu amado pastor...sou leigo em muitos assuntos, mas ao emitir opinião procuro embasá-la em quem dedicou-se a árduas pesquisas e em quem tem notório saber.

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