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domingo, 12 de junho de 2011

DA IGNORÂNCIA AO CONHECIMENTO

“... Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens em todo lugar, que se arrependam”. (At 17. 30).


Qualquer ser humano, de maneira indistinta — e independentemente de suas condições econômicas ou sócio-culturais — vive os tempos da ignorância, da insipiência, ou seja, da ingenuidade: tempos de realmente nada saber.
Esse é o estado em que chegamos ao mundo; ele parece evidenciar nossa mais absoluta dependência de Deus. Que pode uma indefesa criança, durante os primeiros anos de vida? Ela nada sabe, desconhece os perigos iminentes que a cercam, não tem noção do caráter familiar, nem da pátria, nem mesmo da sua individualidade. A criança desconhece o que são direitos e deveres: é um ser “puro”, relativamente às impurezas do mundo.
Entretanto, esse mesmo ser indefeso, traz consigo o germe do pecado, ao qual está irremediavelmente ligado, desde Adão, até que alcance a Redenção do Calvário, providenciada por Deus através de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O estado de total inocência que coloca o ser humano, de forma absoluta, na dependência de Deus, vai-se descaracterizando, à medida que o Homem amadurece física e intelectualmente, tornando rebeldia a inocência.
O amadurecimento físico é proporcionado pela família, a qual lhe provê alimentação adequada, dá-lhe cuidados médicos, ambientação socialmente equilibrada etc. O amadurecimento intelectual — que é a perda das ingenuidades primeiras — vem-lhe através do mundo social em que está inserido: primeiramente com a mãe, que lhe transmite as primeiras informações; a seguir, com a família, com a educação formal na escola e, finalmente, com o Universo que descobriu.
Assim, não é difícil compreender que o Homem passa de estados de ignorância para estados de conhecimento a cada instante de sua existência, resultado das transformações que ocorrem no plano material ou físico. Durante esse longo processo, o indivíduo adquire percepção de sua individualidade, reconhece aqueles que são seus (pai, mãe, irmãos, amigos), aprende noções de higiene, de comportamento social e de cidadania. Simultaneamente, desenvolve o intelecto; sobretudo, com a frequência aos bancos escolares.
No plano espiritual, o processo para alcançar conhecimento ocorre quando, de forma inegável, o ser humano dá-se conta de Deus, já que o homem tem em si o sopro divino que o fez diferente das demais espécies viventes. O homem é um ser religioso. Não se trata aqui de que seja frequentador de atividades religiosas, mas da essência mesma da alma humana. Povos primitivos, os quais nunca foram ensinados sobre questões religiosas politicamente organizadas, têm suas formas de relação —correta ou não — com Deus. Neste ponto, cabe pequeno desvio do assunto: a enorme carência de missionários entre os povos não civilizados, porque é necessário que todos ouçam: “Deixe o ímpio o seu caminho e converta-se ao Senhor!...” (Is 55. 7).
Há em cada um de nós uma constante mutação, um processo ininterrupto, enquanto vivemos. Quem procurou o trajeto que vai da inocência ao conhecimento foi o próprio homem, quando, lá no Éden, permitiu que a serpente lhe transmitisse a informação de que, desobedecendo à ordem do Senhor, tornar-se-ia como Deus, conhecedor do Bem e de Mal.
A astuta serpente tirou a paz; a harmonia interior do ser humano. Deus nos fez puros, ingênuos — no bom sentido da palavra — e dependentes de sua maravilhosa providência; entretanto, plenos de satisfação e domínio. Deu-nos autoridade sobre a Terra e sobre tudo que nela há; ofereceu-nos os mares e os rios com seus peixes, as florestas com sua vegetação exuberante e a fauna mais diversa e bela. Todos esses bens estavam coroados pela “santa ingenuidade”, ou seja, em situação de obediência, na qual Deus pretendeu que ficássemos, não por imposição, mas por amor e dedicação: tanto que nos deu o poder de escolha, a volição, o livre-arbítrio.
Descoberto o “conhecimento”, ficou o homem responsável por seus atos; mesmo assim, o Senhor Deus, em sua infinita bondade e misericórdia, não se fez inquiridor das atitudes humanas: manteve o homem agraciado com sua orientação.
Deus não orienta o homem de forma coercitiva, mas anuncia agora que, liberto da pior ignorância: o afastamento de dependência divina — arrependa-se em todo tempo e em todos os lugares! (At 17. 30).
Eis exposta a noção do pecado: Adão, em estado de inocência, não cometera pecado algum. Consciente, porém, o homem responsabilizou-se diante do Senhor Deus. Por opção, dono de seu conhecimento, apto a discernir entre o Bem e o Mal, tem preferido o Mal, próprio de sua natureza desobediente. Por isso, peca contra o Senhor e sujeita-se à punição.
O ser humano, por Adão, está condenado: é pecador porque deixou o estado de inocência e, consequentemente, de dependência de Deus. Passou à condição de responsável; por conseguinte, condição de infrator e réu.
A que fica sujeito um réu? Evidentemente, sujeita-se às penas da Lei — não às leis do juiz. Não é o juiz quem condena; mas a Lei à qual está submetido o réu. Deus não condena o homem, mas este mesmo se submeteu à penalidade da Lei, por causa do pecado.
A condição a que o ser humano ficou submetido por ter almejado o “conhecimento” de que lhe falou a serpente, mostra que ele não fez boa escolha: afastou-se deliberadamente da proteção divina, julgou-se auto-suficiente. Diz o salmista, no Salmo 73:
“... Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram, pouco faltou para que escorregassem os meus passos... Pelo que a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de um adorno. Os olhos deles estão inchados de gordura; superabundam as imaginações do seu coração... E dizem: Como o sabe Deus? Ou: “Há conhecimento no Altíssimo”?”.
Mais adiante, no mesmo salmo, o poeta afirma que “quase vacilou”, quando teve sua atenção voltada para a sabedoria e prosperidade dos rebeldes; mas não demorou a considerar o fim deles:
“Se eu dissesse: — Também falarei assim; eis que ofenderia a geração dos teus filhos. Quando pensava compreender isto, fiquei sobremodo perturbado. Até que entrei no Santuário de Deus; então entendi o fim deles.”
Asafe, compositor do Salmo 73, mostra de forma clara o verdadeiro passar do estado de ignorância para o estado de conhecimento! Permita o Senhor que tenhamos nossas mentes esclarecidas de tal modo que alcancemos o insuspeitável estado de verdadeiro conhecimento, o qual é-nos ofertado pela pregação da Graça Redentora de Cristo Jesus. Nossa sabedoria é nada, já que o conhecimento puramente humano é enganoso e pobre: a ninguém redime: é inválido para a salvação do gênero humano. Só se passa da ignorância para a verdadeira sabedoria, quando se atenta para o ensino contido em toda a Escritura Sagrada; a Santa Palavra de Deus, destinada a resgatar o homem do conhecimento que ofende a Deus, para o perfeito conhecimento, que vem do Alto. Amém!

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